terça-feira, 30 de setembro de 2014

Lembrança 07

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Laura Sôro

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Lembrança 06





Cacilda Montelli 


E sonhei  que eu ia saindo para trabalhar e quando eu saia elas iam:

-Tchaaau, tchaaau...

Eu dizia para o Horácio:

-Tchaaau pai...

Quando eu ia sair e ele respondia:

-Tchaaau...

E elas escutavam e diziam:

-Tchaaau pai!

Elas me remedavam e remedavam ele. Deixa eu te contá. Quando o pai comprou elas, ele deixou as pobrezinha dentro de um agaiolão fechado, pobrezinha sem água e sem comida. E ai eu chamei a enfermeira, para dar injeção no Horácio quando tava doente e a enfermeira passou e disse assim:

-Que engraçado, quando eu passei na casa que estava em construção aqui, alguém me chamou de Aurora

Ai eu disse para ela:

-De Aurora?

Ela disse:


Ai eu disse:

-Ah mas eu vou la vê  se tem alguém dentro da construção.

Eu entrei e não tinha nada. Ai quando eu fui sair eu ouvi:

-Aurooraaa! Aurooraaa!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Trecho de passarinho



"O rio, objeto assim a gente observou, com uma croa de areia amarela, e uma praia larga: manhã-zando, ali estava re-cheio em instância de pássaros. O Reinaldo mesmo chamou minha atenção. O comum: essas garças, enfileirantes, de toda brancura; o jaburu; o pato-verde, o pato-preto, topetudo; marrequinhos dançantes; martim-pescador; mergulhão; e até uns urubus, com aquele triste preto que mancha. Mas, melhor de todos – conforme o Reinaldo disse – o que é o passarim mais bonito e engraçadinho de rio-abaixo e rio-acima: o que se chama o manuelzinho-da-c'rôa. Até aquela ocasião, eu nunca tinha ouvido dizer de se parar apreciando, por prazer de enfeite, a vida mera deles pássaros, em seu começar e descomeçar dos vôos e pousação. Aquilo era pra se pegar a espingarda e caçar. Mas o Reinaldo gostava: - “É formoso próprio...” – ele ensinou. Do outro lado, tinha vargem e lagoas. P’ra e p’ra, os bandos de patos se cruzavam. – “"Vigia como são esses..."” Eu olhava e me sossegava mais. O sol dava dentro do rio, as ilhas estando claras. "“É aquele lá: lindo!"” Era o manoelzinho-da-crôa, sempre em casal, indo por cima da areia lisa; eles altas perninhas vermelhas, esteiadas muito atrás traseiras, desempinadinhos, peitudos, escrupulosos catando suas coisinhas para comer alimentação. Machozinho e fêmea às vezes davam beijos de biquinquim – a galinholagem deles. "É preciso olhar para esses com um todo carinho..."” Reinaldo disse. Era... De todos, o pássaro mais bonito e gentil que existe é mesmo o manuelzinho-da-c'rôa.”"

Guimarães Rosa
(Bebeto bahia)

domingo, 18 de maio de 2014

Passagem do tempo: Crejoá, Bicudo

Saudades, entalhe sobre madeira (Crejoá, trabalho em processo), São Paulo, maio 2014.


Saudades, entalhe sobre madeira (Bicudo, trabalho em processo), São Paulo, maio 2014.

domingo, 4 de maio de 2014

Lembrança 05


Eduardo Montelli

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sem nome



Saudades, primeiro teste, fevereiro de 2013.



 Saudades, primeiro teste, fevereiro de 2013.






sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Lembrança 4

Meu pai me levava ao zoológico do Rio de Janeiro (Quinta da Boa Vista) com certa frequência  Gostava muito. Tinha uma foto de minha avó materna, que foi visitar-nos, com arara(s) ao fundo, tirada neste zoo. Meu pai também adquiriu periquitos, provavelmente selvagens, que mantínhamos na lavanderia. Ainda do Rio de Janeiro tenho recordações da grande quantidade de urubus, na orla marítima, ao lado da rodovia, quando íamos visitar amigos de meu pai. Vinhamos a São Paulo passar o fim de ano na casa de meus
avos em Mairiporã  Não raro beija-flores adentravam na casa e minha avó, ou alguém mais, procuravam apressadamente devolver a curiosa ave ao seu ambiente. Já em São Paulo  quando íamos ao mercado  central da Cantareira para compras, ficava fascinado com uma ala onde vendiam grande quantidade de aves, de diferentes cores,tamanhos e formas. Meu primo tinha um canário da terra que cantava muito, talvez estimulado pelo som produzido pela bomba que puxava água do poço. Tive periquitos australianos e criei canários no apartamento onde morávamos. Tenho boas recordações de quando ouvia o canto das aves, particularmente da juriti, inhambu e uru, na casa do meu avô. E agora, sexagenário  passo o meu tempo a escrever algumas notas sobre Claravis geoffroyi (ex godefrida).

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lembrança 3

A galinha burra

Queria te pedir desculpas, Ícaro. Sou toda arrependimento saboroso, assado, frito ou cozinho, até mesmo cru, por ter me deixado capturar e ser espremida com outras galinhas alucinadas feitas pela indústria, não pela divindade perfeita que fez vocês. Minhas ancestrais não aprenderam a voar em direção ao sol.

Sei muito bem o quanto te prejudico a sociabilidade e o orgulho de si mesmo quando espicho o pescoço para fora da gaiola e demonstro não compreender sua insistência naquilo de que já desisti, como velha que sou, uma galinha velha de dois meses e bico cortado debaixo de uma luz que não me deixa dormir, desesperada de frente para sua razão e sangue frio superiores, a preferência onívora, a riqueza dos movimentos motorizados. Enquanto que a minha situação fica cada dia mais constrangedora. Nem mesmo sei exatamente o que quer dizer a palavra pecuária, pois não tive oportunidades com a cultura humana.